segunda-feira, 16 de abril de 2018

Adriana Calcanhotto – A Mulher do Pau Brasil

Do outro lado do atlântico, chegam-nos sons e ritmos quentes, pautados pela leveza de quem vive uma vida livre. Adriana Calcanhotto é um exemplo vivo isto, tendo conquistado o seu público irmão com a sua voz de timbre caloroso e suave, com as suas obras musicais que nos embalam e as letras que nos deixam um quentinho no coração, que nos fazem sorrir, numa onda “bossa nova pop” muito própria. 

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A sua carreira teve início nos anos 90, mas o espectáculo que deu em Lisboa, mais precisamente no Centro Cultural de Belém, no passado dia 10 de Abril, foi uma estreia. “A Mulher do Pau Brasil”, designação dada a este espectáculo inédito, nasce do seu trabalho enquanto Embaixadora da Universidade de Coimbra e de toda uma carreira que reflecte e se debruça sobre literatura e história. Porque para além de artista, Adriana é claramente uma mulher de palavras, compreendendo e utilizando o seu poder transformativo e aliando-o à música. 

A expectativa e curiosidade eram, assim, de elevado nível. Todo um público sedento por um espectáculo que prometia formou uma fila gigantesca que não só encheu, como quase transbordou, o Grande Auditório. Envolta num ambiente misterioso e provocativo, a artista surge balanceando-se numa cama de rede enorme suspensa sob o palco, acompanhada por Gabriel Muzak, na guitarra e Ricardo Dias Gomes no piano e baixo. Mulher do Pau Brasil foi, justamente, o tema de abertura, homónimo do espectáculo – esta audiência teve o privilégio de escutá-lo em primeira mão –, inspirado nos movimentos modernista e antropófago brasileiros dos anos 20, cujo o título é inspirado na obra Pau Brasil, de autoria do poeta Oswald de Andrade, editado em 1925. 

Em entrevista, Adriana afirmou que o seu principal foco, para este espectáculo, seriam a dor, o luto e a luta. E é isso mesmo que transmitem estes dois primeiros temas, tanto A Mulher do Pau Brasil quanto a se seguiria, A Dor Tem Algo de Vazio - poema de Emily Dickinson, com título homónimo. É verdadeiramente incrível o quão bem consegue a artista transpor três temas tão complexos da vida em notas musicais. A forma intensa e quase desesperada com que canta a frase “de dor”, no refrão, não deixa nada por dizer. 

Mas nem só de temas novos se formou este espectáculo. Adriana prestou homenagens a alguns outros cantores conhecidos, tais como Maria Bethânia – com o tema Mortal Loucura –, Vinicius de Moraes – com o tema Nature Boy – e Chico Buarque – com o tema Caravanas. De entre as melodias mais conhecidas, tivemos o prazer de voltar a ouvir clássicos como Esquadros, Onde Andarás, Não Demora, Inverno, Devolva-me e as tão conhecidas Vambora e Fico Assim. Nomes grandiosos, músicos de excelência e temas clássicos que enriqueceram muito a experiência e, decerto, provocaram muita nostalgia. 


Chega com calma o tema Noite de São João – poema do heterónimo Alberto Caeiro proclamado por Adriana Calcanhotto, o que só tornou a noite ainda mais mágica e poética. Está aberto o caminho para mais um novo tema, O Que Me Cabe. Acompanhada de uma guitarra pautada ao ritmo bossa nova, e com um timbre de voz aveludado, Adriana embala-nos ao som de uma letra sofrida, na qual, novamente o tema da dor está muito presente, como se deixa entender, de resto, pela letra “Você não sabe, o que me cabe. No silêncio, dor. No escuro, dor. No espelho, dor.” 

De igual modo, nem só de música se fez este concerto, na medida em que houve longos e saborosos momentos de diálogo entre a artista e a plateia, criando um ambiente empático e envolvente. Foram diversos os momentos ao longo do espectáculo que Adriana partilhou histórias e inspirações, provocando emoções fortes entre o público, e arrancando algumas gargalhadas. 

Terminou esta noite sublime, com um encore muito especial. Tigresa (original de Caetano Veloso) e Fico Assim foram os dois temas escolhidos pela artista para se despedir. De notar um percalço que decorreu em plena canção Fico Assim: um simples erro por parte de um dos músicos despertou toda uma onda de riso na plateia. Adriana soube lidar com este momento com muita naturalidade e leveza, novamente interagindo com o público com humor, acabando assim por ser um momento que fez toda a diferença! Adriana prometia e, definitivamente, não desiludiu.   



quarta-feira, 28 de março de 2018

RODRIGO LEÃO & SCOTT MATTHEW NO CCB: QUANDO A MÚSICA TRADUZ O PARADOXO DA VIDA

A convite do Echo Boomer, tive o prazer de assistir ao mais recente concerto de Rodrigo Leão com Scott Matthew, numa última apresentação do trabalho em colaboração entre os dois artistas, "Life Is Long".

Fica aqui a crítica, da minha autoria, a este fabuloso concerto!

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Foi na passada quinta-feira, dia 22 de março, que o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém se encheu de pessoas sedentas por um concerto que prometia aquecer a noite que se fazia sentir bem fria. Tratou-se do último concerto da digressão “Life is Long”, álbum de Rodrigo Leão em colaboração com Scott Matthew, que durou um ano e meio e que contou com quase 40 concertos – pelas palavras do próprio músico, num agradecimento tímido mas repleto de gratidão e satisfação. 

Foi, por isso, um momento especial, magnífico e, diria até, épico, pelo tom cinematográfico que já é apanágio do artista, muito bem acompanhado pela voz do timbre envolvente, dramático, aveludado e sólido de Scott Matthew. Este último acabou por ser o cantor convidado para a gravação deste álbum, depois do seu brilhante desempenho enquanto vocalista na faixa “Terrible Dawn”, que faz parte do álbum A Montanha Mágica, editado por Rodrigo Leão em 2011. Desde aí que a conversa entre os dois músicos nunca mais cessou. 

Rodrigo Leão é um Músico com M grande e uma dos compositores mais marcantes no panorama musical nacional. Multifacetado em termos de estilos musicais, que vão desde diversas bandas sonoras (destacar, em especial, o brilhante trabalho para a série portuguesa O Equador, em 2008, e um outro, não menos fantástico, trabalho na banda sonora do filme The Butler, em 2013), à música clássica contemporânea e, até mesmo, a algumas influências latinas e de pop alternativo, nunca abandona o dramatismo melódico, a teatralidade e a reflexão sobre temas que nos tocam a todos numa transposição da vida (e neste, caso, da morte) em notas musicais – tarefa que faz de forma exímia. 

É precisamente sobre um tema que nos toca a todos que se debruça o álbum Life Is Long: a Vida e a Morte. Assim, a efemeridade, a fugacidade do tempo e a natureza breve da vida, que deve ser vivida com serenidade, é neste álbum transposta para a música com uma crueza tal que chega a tocar no estoicismo (uma corrente filosófica que considera ser possível encontrar a felicidade desde que se viva em conformidade com as leis do destino, o que inclui a aceitação de que existe um destino comum e inevitável e que esse destino é a morte). 

O concerto abre com “Enemies”, faixa que prima pelo pop rock melódico, e que prendeu a atenção da plateia de forma arrebatadora. Arriscaria dizer que o conjunto garrido e exuberante desta faixa nos transporta até outra grande banda portuguesa, Ornatos Violeta. 
É tocada e cantada com paixão e com, lá está, muita garra. 

Depois de uma entrada tão enérgica, surge “Child”, uma canção simples mas absolutamente deliciosa, sempre com aquele toque nostálgico que é transversal às obras de Rodrigo Leão e, diria mesmo, simplesmente triste.

Segue-se “The Fallen”, uma das músicas em que eu, pessoalmente, considero que Scott tem uma das melhores prestações vocais. O seu timbre aveludado encheu o auditório e entrou, decerto, com muita suavidade nos ouvidos da audiência. As notas de violino, pela Viviena Tupikova, complementaram “The Fallen” com uma sensação de beleza eminente.

“Nothing Wrong” surge com uma imensa melancolia, mais uma vez, quase a tocar no desesperança e resignação, emoções que Scott tão bem traduz na sua forma de cantar, com um tom ligeiramente desesperante no final de cada estrofe (difícil transpor em palavras, pelo que se aconselha a audição da faixa do álbum), e de forma mais intensa na frase “They’re Over” no refrão. Aqui, especialmente o prolongamento de “Over”, a entrega total com que o canta faz-nos sentir o peso da angústia de ter perdido algo. 

Voltando aos temas do fatalismo, estoicismo e da resignação, aceitação da brevidade e efemeridade da vida, num tom muito “It is what it is” e “C’est la vie”, a faixa “That’s Life” surge como um expoente máximo desta perspetiva – como é, de resto, autoexplicativa parte da letra: “Now it’s over / That’s life / É a vida / C’est la vie / I’m getting any younger / But we try / That’s Life”. O tom melancólico e esta carta aberta, no fundo, à vida em si, faz com que esta seja uma das faixas mais bonitas do álbum e um dos melhores momentos deste concerto.

   

Após uma primeira parte bastante intensa, Rodrigo Leão brindou-nos com umas breves mas emocionantes palavras de agradecimento, momento que fechou com o tema instrumental “Empty Room”. Uma faixa inteiramente instrumental, com aquele tom cinematográfico que lhe é tão característico, e que nos proporcionou um verdadeiro oásis de calma e beleza no meio de um concerto repleto de emoções fortes. 

Para uma segunda parte, Scott Matthew saiu de cena, por momentos, para dar lugar à atuação da assemble dos 5 músicos: João Eleutério na guitarra e no baixo, Carlos Tony Gomes no violoncelo, Viviena Tupikova no violino e sintetizador, Francisco Gracias na bateria e Marco Alves no trombone e metalofone – e, claro, nunca esquecendo o músico principal, o brilhante Rodrigo Leão. 

Seguiram-se duas faixas puramente instrumentais, recheadas de teatralidade e energia. De destacar aqui a harmonia perfeita entre os músicos, que constantemente comunicavam entre si, com olhares, gestos, sorrisos e provocações, numa verdadeira dança de notas músicais atrevidas. 

Volta Scott ao palco, para nos brindar com uma das faixas que é das mais tristes, mas, também, das mais bonitas do álbum. Trata-se de “In The End”. Mais uma vez aqui muito presente o tema da efemeridade da vida, do Fim, de tudo e todos termos irremediavelmente esse Fim. A tristeza com que canta “As your last breath begins / Contently take it in / Cause we all get it in / The end” faz-nos mesmo relativizar tudo na vida quando nos deparamos com a morte. 

E é com um tom de mistério e enigma que começa a faixa “Unnatural Disaster” – um conjunto de estrofes bastante obscuras que desaguam num refrão refrescante e, até, esperançoso. De destacar aqui a brilhante prestação do trombone, por Marco Alves, que sem dúvida alguma encheu e enriqueceu muito esta faixa. Encheu-nos, também a nós, o coração.

Scott Matthew revela-se uma pessoa meio tímida, mas brincalhona, quando afirma perante o público que, agora, vai tocar uma das suas mais recentes composições. Foi, aliás, um privilégio para nós, ouvir em primeira mão esta faixa, visto que foi a primeira vez que estaria a tocar e cantar esta faixa em público. Uma melodia simples, em acústico, e com alguns enganos, notas erradas e falhas pelo meio – com as quais o cantor soube lidar com humor, provocando também risos por parte da plateia. Ainda a solo no palco, tivemos o prazer de cantar com Scott, uma cover da tão conhecida canção “I Wanna Dance With Somebody” de Whitney Houston. Foi um momento de envolvência genuína, com as centenas de pessoas que encheram o Grande Auditório do CCB a cantar em uníssono. 

De forma sorrateira entra mais uma faixa instrumental, na qual mais uma vez o trombone e o violino se destacam com as suas notas, numa dança atrevida entre os dois instrumentos. E chega a vez de “Terrible Dawn” – a primeiríssima canção gravada em colaboração entre Rodrigo Leão e Scott Matthew, em 2011. Foi com esta faixa que nasceu todo o trabalho de colaboração entre os dois artistas, foi um mote – no fundo, a música que estabeleceu o tom para o que estava para vir. Eis uma canção envolvente, com uma influência de Blues bastante marcada e com uma bateria e uma guitarra que se deixam arrastar ao longo de uma constante melodia em sintetizador. E se no álbum esta faixa está espetacular, no concerto não se ficou nada atrás.


E para contrariar essa ideia de efemeridade da vida que acaba por ser um tema geral do álbum, como que num paradoxo (e, afinal, não é a vida isso mesmo?), surge o single, “Life is Long”. O violino chora com Scott, que canta “Life, life is long / whoever thought that could be wrong / life is long Life” numa harmonia delicada e deliciosa.

   

E aqui termina este Fabuloso concerto (sim, com F grande). Errr… termina? 

Será que termina mesmo por aqui? 

Como é óbvio, não. Os músicos voltam para um encore, primeiro com uma faixa instrumental encantadora, esplêndida, com uma imponência e perfeição tal, que garanto-vos, muita gente (incluindo eu) ficou com lágrimas nos olhos. 

Seguiu-se a faixa “Abandoned”, que não integra o álbum Life is Long, sendo a mais recente colaboração entre os dois artistas, lançada em 2017. 

E quando já todos pensávamos que o concerto tinha mesmo terminado, eis que temos direito a mais um encore especial. Sendo o último concerto desta digressão, os músicos quiseram deixar a sua audiência de barriga cheia, presenteando-nos e fechando assim o concerto, repetindo o single “That’s Life”. Uma despedida mágica que nos deixou com um gostinho de uma melancolia feliz para terminar a noite. 

 Este concerto envolveu-nos e despiu-nos a alma. Ali, naquele momento, éramos só nós. Nós e a música, nós e a vida, nós e a morte. “Because That’s Life“.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

E lá vai mais um...

Morreu o Tom Petty.

Pode não dizer muito a muita gente, mas, felizmente, desde a idade de puto em pré-adolescência que tomei conhecimento deste artista - mais uma vez pelas mãos do meu pai, claro está.

Não explorei a discografia dele a fundo (nem com os Heartbreakers nem a solo). Em 1991 apareceu lá por casa o "Into the Great Wide Open" (em CD... pois nesta altura ninguém era crítico do som do digital; e eu era muito puto!), cuja capa, por alguma razão que não consigo explicar, me dava algum conforto. As músicas eram todas "radio friendly" - todas! - e ganhei mais uma cassete para tocar no meu walkman do dia-a-dia. Confesso que nem sempre me agradavam as escolhas que o meu pai fazia nas coisas que me gravava em cassete... Mas o álbum "Into The Great Wide Open" não era um desses casos. (E quanto aos outros casos... o tempo fez com que fossem crescendo aos meus ouvidos)

Naquela altura não sabia - nem perguntava - quem era o Tom Petty, nem qual a sua relevância na música. Mais tarde, em 1998, a propósito da compra dum gira-discos conheci um outro álbum "The Travelling Wilburys", homónimo, dum "super-grupo" composto por: Tom Petty, George Harrison, Bob Dylan, Roy Orbison e Jeff Lynne. Lembro-me do meu pai me esclarecer isto mesmo, quem eram os membros. Lembro-me de não ter gostado nada do álbum na altura... Aos 16 anos achava que a música se cingia apenas aos Cocteau Twins, Cure, The The, e outros que tais da onda mais escura dos 80's. Também é sabido que os 16 fazem parte duma fase muito parva... e o "The Travelling Wilburys" tem canções do catano!

Hoje é fácil dar valor a este compositor. Longe de um gigante... mas muito relevante!

Fica uma do "Into The Great Wide Open" fácil, de melodia simples, de cativar os putos pequenos :)




terça-feira, 29 de agosto de 2017

RAC | Ego

Um belo dia chega o meu moço a casa e, como quem não quer a coisa, mete uma música deste álbum a tocar - Ego, de RAC. Sem fazer ideia do que era, primeiramente estranhei mas depois aquela música entrou que nem uma maravilha. 

Música para os meus ouvidos - literalmente!

Depois passou muito rápido pelo álbum, ressalvando desde logo que não gostava mas que eu ia adorar.

E como ele tinha razão! Como ele me conhece! Imediatamente coloquei este álbum em "lista de escuta" (sim, eu tenho essa lista mental, LOL 😜), e bastou uma audição para gostar imenso, uma segunda para adorar, uma terceira para me convencer por completo e começar a ouvir em repeat, familiarizando-me com todas as nuances de todas as músicas. 😍

No outro dia, lá estava eu a ouvir novamente o álbum, a caminho de algum sítio, de autocarro. Ia anotando os nomes das músicas que gostava mais, para escrever este post, até que me apercebi que mais valia era ter escrito as que não me diziam grande coisa. Pois é, não há uma música neste álbum que eu propriamente não goste, só 2 ou 3 não me dizem muito, mas as outras....Amo! 💟

Normalmente, eu primeiro oiço a música, para mim a música em si é tudo e muito raramente ligo ou vou pesquisar sobre o artista em si. Desta vez fui e qual não foi o meu espanto quando descobri que ele - o RAC, nome real André Allen Anjos - é português! Vi que ele já fez algumas outras coisas, não conhecia e ainda não conheço nada. 

Fiquei vidrada neste álbum, POP, pop puro, como eu adoro música pop!!! :)

Vou deixar então aqui as músicas com mais destaque para mim (quase todas, aviso já! 😜 )

FEVER

 Aquele início... Lindo e nem faz adivinhar nada do que por aí vem. E depois, explode, explode num tom pop, leve, uma música ideal para começar um álbum assim. Com um tom extremamente positivo, natural e espontâneo. À medida que a música desenvolve, aqueles sintetizadores lá no fundo, quase que passam despercebidos aos mais distraídos, mas eu tenho um ouvido implacável para aquilo que eu chamo de sintetizadores felizes 😂


NOBODY

 Tenho as minhas reservas quanto a esta faixa, a voz dela não me convence muito. Mas gosto imenso do desenrolar da música, quanto mais perto do final, melhor fica. Adoro aqueles "violinos" (ou sintetizadores a imitar), piano no fim, e adoro a transição natural para a música seguinte, que para mim é das melhores do álbum.


UNUSUAL

Adoro tudo nesta música. A batida extremamente pop, a voz dela, os efeitos da voz dela a desvanecer-se e em duas vozes, no refrão. Love it, love it, love it! E mais uma vez, uma transição para a música seguinte. (adoro álbuns assim, com transições entre as músicas, como se fosse tudo um continuum)


THIS SONG

Amo todo o feeling disco que esta música tem, com o efeito de beat "distante", como se o som estivesse lá bem longe, alternado com uma súbita subida de volume e "clareza" do som. Adoro este mix, adoro a melodia e o desenrolar de toda a música. "Entra" que nem manteiga :P



NO ONE HAS TO KNOW

Para mim, das melhores músicas. Opa, são todas das melhores! Não consigo decidir! xD
Mais uma vez um início discreto mas giro, um tom de disco, e um refrão que é uma explosão de êxtase completa... a voz dele, os sintetizadores todos à mistura  ❤️❤️❤️


THE BEAUTIFUL GAME

 Esta foi a música que ele inicialmente me mostrou. A tal que entrou (quase) de imediato. Digam lá que não é uma explosão de absoluta boa disposição, "bola para a frente", felicidade, energia...?! :D
E depois da explosão, termina em calmaria... e beleza :) e mais uma transição, perfeita, para a música seguinte.


JOHNY CASH
Uma música leve onde se destaca o refrão, que adoro :)


IT'S A SHAME
Começa logo com aqueles sintetizadores iniciais. Adoro esse tipo de sons, como já devem ter percebido :P Depois desenrola-se numa música extremamente pop. Confesso que não gosto da voz dela inicialmente, mas depois no refrão muda e fica mil vezes melhor :D Mais uma música leve, para ouvir em dias bons e solarengos! :P


BE

A primeira vez que ouvi esta música, pensei logo "Lykke Li, is that you?!". Não é, mas podia ser. Adoro este timbre de voz feminina, fiquei apaixonada à primeira audição. E não só a voz dela, mas toda a estrutura da canção, a mistura de sons, aquele tom constante positivo e "do bem". Para mim, uma canção Pop perfeita do início ao fim. Lá está... again, das melhores do álbum :P


HEARTBREAK SUMMER
 
Ainda com os resquícios da música anterior (yet another perfect transition), surge um início tímido e uma voz feminina com aquele tom rouco que tanto gosto de ouvir. E depois.... magia. Esta música é MAGIA! Especialmente aquele final completamente expansivo e que me dá vontade de subir às estrelas. Único defeito: essa parte deveria prolongar-se um pouco mais.


END
Como o próprio nome indica, esta é a música final do álbum, e para mim traduz-se literalmente nisto: coming down from a high. Todo o álbum foi tão enérgico, extásico, positivo, feliz, tudo e mais alguma coisa..... E agora, é tempo de acalmar. É tempo de serenidade. Tempo de levitar.
Os sons, calmos por si, e aquela voz lá bem no fundo a repetir "I am Happy, I am Happy, I am Happy" no início da faixa... Perfeito, perfeito, perfeito.



Este álbum é uma viagem. É um continuum do início ao fim. Todas as músicas são diferentes (embora com a mesma linha condutora), com transições brutais entre si, como se nunca terminasse uma e iniciasse outra, mas sim como se a primeira música se ligasse à última de uma forma natural, passando no entanto por muitas fases diferentes - todas elas, porém, marcadas por um extremo positivismo. É um álbum maioritaramente feito de colaborações (reparem nos "Ft." em quase todas as músicas), portanto com vozes e elementos diferentes, mas todas na mesma onda. Os sintetizadores, a mistura de elementos, a alegria que este álbum transmite, terminando neste "End", nesta pacificidade calma mas feliz como quem terminou de fazer uma viagem inesquecível.

BRUTAL, dou 10 em 10 e recomendo muito este álbum para quem, como eu, é apaixonado/a por música Pop. 💜💜💜


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

LANA REL REY | LUST FOR LIFE - review

Sou fã acérrima da Lana Del Rey, desde que ouvi a "Video Games", back in 2011, estava eu a viver um dos melhores anos da minha vida (Erasmus em Amesterdão, Holanda), quando fiquei vidrada naquela canção, naquele vídeo, nela..... para além de ter ouvido essa canção 15774568 vezes, desde aí nunca mais deixei de a acompanhar!

 

Descobri depois os trabalhos dela antes de se tornar famosa, quando ainda era a Lizzy Grant, e sempre amei tudo nela: o estilo, a voz, e as letras complexas e elaboradas que, apesar de acabarem por bater sempre nos mesmos temas, continuam fantásticas, na minha opinião.

Estamos em 2017 e Lana Del Rey surge agora com o seu 5º álbum em estúdio - Lust For Life 

 A expectativa era muita e muito alta, não tanto com o single que ela lançou com The Weeknd, "Lust For Life", que dá o nome ao álbum (sinceramente, não me convenceu e estava à espera de mais com essa colaboração), mas quando ouvi o "Summer Bummer" pensei logo...... ui, o que está por vir aí!

 

Neste post vou apenas elaborar sobre as músicas que gosto (mais). 

 De uma forma geral, gosto imenso de todo o álbum na sua íntegra. Acho que ela conseguiu manter-se fiel a si mesma, com a sua linha condutora e os elementos musicais que lhe são característicos.

Mas também acho que o álbum está demasiado longo (16 músicas), alguns "album fillers" (músicas um pouco repetidas e que eram escusadas estar lá, sinceramente, e como o próprio nome indica, só servem para "encher"). ADORO a vertente badass, gangster, hip-hop, R&B, um bocado "bad girl" que ela colocou, identifico em muitas músicas influências de Clams Casino (que também adoro, aquelas batidas!). Nota-se também o contexto político (EUA) em que nasceu este álbum e influências bastante nacionalistas, as quais eu confesso que não me identifico tanto. 

 Vamos lá então! 

 LOVE



Lana Del Rey being Lana del Rey 

 Aquela batida "engrandecedora" e até imponente, a melodia, a voz dela e aquela forma dela cantar "It's enough just to make you feel crazy, crazy, crazy, sometimes" é simplesmente tão ela que é impossível não adorar. Excelente forma de começar o álbum, um ótimo prenúncio. 

Denoto também o positivismo dela nesta música:  

"You're part of the past, but now you're the future" 
Doesn't matter 'cause it's enough
To be young and in love "

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 Lust For Life (colaboração com The Weeknd): sinceramente esperava melhor. Podem ouvir aqui.

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Cherry: o mesmo; está gira mas é mais um album filler ao pé de tantas outras coisas que são maravilhosas no álbum. Ainda não existe vídeo oficial no Youtube mas está no Spotify aqui 

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 WHITE MUSTANG
 


Infelizmente ainda não existe vídeo no Youtube. Ouvir no Spotify AQUI.

Confesso que esta música não "entrou" logo de início, porque achei a introdução boring :P MAS ao final da primeira estrofe/início do refrão, quando entra aquela batida, com o tempo foi entrando e hoje posso dizer que gosto imenso desta música. Adoro o início subtil, a forma completamente libertadora (algo que também a caracteriza e que eu amo) como ela canta o refrão, o contraste entre a leveza da voz dela e a presença do baixo

Adoro como ela cresce, mesmo sendo uma música curtinha. Direta ao ponto.

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 SUMMER BUMMER

Pára tudo!!! Esta é a minha FAVORITA de todo o álbum. Aliás, eu sinceramente, gostaria que mais músicas fossem mais como esta, neste estilo :P Que alguns dos tais album fillers de que falei, fossem mais assim. 

 Que dizer? Do primeiro ao último segundo, esta música conquistou-me com apenas uma audição (e isso é raro). 

Entrou imediatamente e tem estado em repeat nas últimas semanas. 

Quer dizer, isto começa como "quem não quer a coisa", com aquela introdução típica LDR (que eu amei, pelo piano e pela forma como ela desvanece as palavras no fim de cada frase). Chega o segundo 42 e entra aquela batida (sim, eu sei que digo a palavra "batida" muitas vezes, sou uma leiga a analisar música com termos técnicos, vocês percebem :P ). Mata-me logo ali! 


E AQUELE REFRÃO... 


Hip-Hop in the Summer
Don't be a Bummer babe 
Be my undercover lover babe 
Hm 

High Tops in the Summer 
Don't be a Bummer babe 
Be my undercover love babe
Hm 

(aquele "hm"........ ai o meu coração!!! my heart skips a beat


Aquela bridge em rap, encaixa tão bem na perfeição (e eu não sou assim grande apreciadora de rap, só se for muito bem feito) com tudo. Dá, lá está, aquele ar gangaster e badass que ela banhou neste álbum e que lhe fica tão bem. Os constantes "why?", "what?", "yeap", lá no fundo. Dá uma pausa inacreditável. Uma sensação de poder! 

Aquela bridge dela, mais uma vez, a tocar nos temas tão certos para ela, com um ar tão sôfrego:

White lies and black beaches 
Miles in between us 
Is this love or lust or some game on repeat? 
It's like makin' me crazy 
Tell me, "have patience" 
Baby, I need this 
White lines and black beaches 
White lies and black beaches 
And blood red sangrias 
We traveled for weeks, just to escape your demons 
But you've got your reasons In makin' me crazy 
But you've got your reasons 
White lies and black beaches 

A repetição e troca de frases que rimam, num estilo tão próprio. E a forma dela cantar ainda confere mais magia à própria letra. Adoro a forma completamente "estou-me a c*gar para tudo" com que ela canta, quando ela diz "don't be a bummer" ("não sejas uma seca", do género, junta-te a este meu lado mais negro mas ao mesmo tempo completamente a lixar-se para tudo, com aquele olhar gélido dela), juntamente com um ar (quase) sofrido com que ela acaba as frases, quase que a perder a respiração e a vontade de viver mas de uma forma sexy até mais não.



Enfim...... SUMMER BUMMER é O SINGLE deste álbum. Perfeita do início ao fim. 

Está em repeat desde que saiu (faz semanas) e parece-me que assim vai continuar. Em casa, na rua, nos transportes, no carro......... Ouvir até me fartar! De preferência, com o volume no máximo e os níveis de baixo bem altos para se sentir aquele poder no corpo, quase como se o nosso coração e a música se sincronizassem. É assim que eu gosto de ouvir música.

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 GROUPIE LOVE
   

É a minha segunda favorita, e vem logo a seguir (literalmente) ao Summer Bummer.

AMO a leveza com que começa a música, a forma como cresce e....

O REFRÃO.

Aquele refrão!

A rendição, a entrega completas que eu sinto a ouvir ela cantar estas duas simples palavras, "Groupie Love".

Ela canta isto três vezes no refrão, sendo que nas duas temos uma batida consistente, com essa mesma batida a decrescer à terceira vez que ela canta. Mágico. Para mim, cantar isto é um autêntico mantra. 

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In My Feelings: está gira, mas não tenho nada de especial a dizer.

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COACHELLA  

Esta é das músicas onde, na minha opinião, se nota mais a influência de Clams Casino e eu adoro isso. Está uma canção simples, mas tão, tão bonita. 

Adoro esta parte da letra: 

What about all these children
And all their children's children
And why am I even wondering that today
Maybe my contribution
Could be as small as hoping
That words could turn to birds and birds would send my thoughts your way

O refrão tem uma melodia engraçada, diferente, original. 

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God Bless America: aqui se vê bem as influências nacionalistas e bem marcadas pela realidade política que se vive nos EUA hoje em dia (Donald Trump). Musicalmente, está bonita, mas nada de ultra especial. :P

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 WHEN THE WORLD WAS AT WAR, WE KEPT DANCING 
 
 Infelizmente, ainda não disponível no Youtube. Podem ouvir no Spotify AQUI.

Para começar, adoro o título da música. Passa uma mensagem de positivismo, de esperança, de keep on going numa sociedade que vive uma guerra prestes a estalar e de alguma forma silenciosa.

Mais uma vez, a influência da realidade política que se vive nos EUA hoje em dia.

Is it the end of an era? Is it the end of America? Is it the end of an era? Is it the end of America? 
No, it's only the beginning 
If we hold on to hope 
We'll have a happy ending 
When the world was at war before 
We just kept dancing 
When the world was at war before
We just kept dancing

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Beautiful People, Beautiful Problems: ao início gostava, mas agora que ouvi mais vezes, não acho nada de especial. Está bonita, só.

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 TOMORROW NEVER CAME

   

 Infelizmente, anda não disponível no Youtube. Podem ouvir no Spotify AQUI.

Esta música é tão, tão, tão LINDA. É a mais simples, bonita, enternecedora do álbum, na minha opinião. Ainda não tinha pensado nessa questão, até que o meu melhor amigo (também ele fã acérrimo da LDR), mas esta canção está pejada de influência de The Beatles - aliás, não é por acaso que é cantada em conjunto com o Sean Lennon, filho mais novo do John Lennon. Depois dele me dizer isso, ainda passei a adorar mais esta canção. Podia ser perfeitamente uma música de The Beatles.
O refrão a duas vozes (como eu AMO, coros, vozes conjuntas e segundas vozes), é algo de MA-RA-VI-LHO-SO. Fico com arrepios de tão bonita que é.

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 HEROIN

 

Disponível no Spotify, AQUI

Confesso que não "pegou" logo de início e continuo a achar que a música é um bocado seca até ao minuto 3'27. Neste momento, a música passa de boring a épica. Adoro o sofrimento como ela canta aqui, até voltar a ser boring durante um minuto e acabar outra vez com aquela epicness toda. 

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Change: um album filler completo, já há dezenas de músicas "iguais" a estas, Lana. Era escusado. 

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Get Free: uma cópia da "Creep" dos Radiohead (e eu sou a maior fã de Radiohead, mas esta música não é nem de longe nem de perto as que mais gosto deles). Achei uma cópia descarada, um plágio descarado e ainda por cima, nem está nada de especial. Ok Lana, podias ter feito uma cover da música deles, mas assim? Muito fraquito :P 


Estas duas últimas músicas só encheram o álbum sem necessidade. 

Em suma: apesar dos album fillers, e de ser demasiadamente longo, este álbum ARRASA por completo porque as músicas que são boas, são MUITO BOAS. Está um álbum coeso, fiel ao estilo Lana Del Rey mas com introdução de novos elementos (os quais eu adoro). Prova como ela se reinventa, nunca deixando de ser ela própria.

ADORO!!! 

 Mas dou só um 9/10 precisamente porque ela repetiu-se um bocadinho mais do que devia.