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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Best Youth na Timeout Market Lisboa: Como o synth-pop nos conquistou


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Imagem: Público

Crítica escrita pelo João Cunha para o site Echo Boomer.

O Timeout Market Lisboa recebeu os Best Youth na passada sexta-feira para uma noite onde o synth-popreinou. O mote foi a apresentação do novo álbum Cherry Domino, o segundo longa-duração da banda, lançado digitalmente em junho passado. De notar que entre o álbum de estreia Highway Moon e este distam três anos – entre os lançamentos houve ainda uma reedição desse primeiro álbum no ano passado, com direito a mais duas novas canções -, mas aqui o que interessa é a qualidade.


E é na qualidade que Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salinas dos Best Youth primam. Se no álbum de estreia foram alvo de críticas extremamente positivas, a tendência deverá permanecer com este Cherry Domino. A juntar à festa foi também a apresentação de quem os acompanha ao vivo, uma verdadeira nata musical portuense, a saber: Fernando Sousa (X-Wife), Miguel Ferreira (Clã) e Tito Romão (Salto).


A aposta mostrou-se ganha logo à primeira canção: entraram de mansinho com “Feelings”, deste novo álbum, uma mostra bastante clara de que a sonoridade dos Best Youth não mudou, apenas evoluiu, para melhor. Isso mesmo nos confirmou “New Boy New Girl”, canção que se seguiu, onde a presente melancolia nas palavras de Catarina Salinas era envolvida numa canção que podia ser uma lullaby dos anos 80.


A exploração por Cherry Domino continua pela sublime “Nightfalls”, exercício pop onde a voz de Catarina Salinas assenta lindamente no meio do sintetizadores e das drum-machines. O ingrediente que sobressai é, claramente, a facilidade com que as canções do novo álbum nos metem a dançar.


Aproveitando o mote, é-nos apresentado de seguida “I’m Still Your Girl”, single de 2013, a primeira incursão no espólio que os Best Youth criaram antes de Cherry Domino seguida de “Nice Face”, fruto da colaboração com os We Trust no grupo There Must Be a Place, canção sobejamente conhecida e ouvida do púlbico português. Por esta altura do concerto, os Best Youth já nos tinham conquistado sem qualquer sombra de dúvida: a voz sussurrante e sexy de Catarina Salinas conjugava-se na perfeição com as composições de Ed Rocha Gonçalves e a prestação do grupo era cativante.


A setlist foi muito bem escolhida e, conscientemente ou não, o concerto foi crescendo em intensidade perante os temas apresentados. Seguiu-se “Part of the Noise”, uma colaboração brilhante com Moullinex no novo álbum e uma forma nos levar de volta ao synthpop (e de nos pôr a dançar com facilidade, já agora!), a fabulástica “Red Diamond” e “Black Eyes” – ambas do Highway Moon – e chegamos a “Hang Out”: tempo para uma breve menção, por parte da banda, ao primeiro single da carreira, que teve várias versões até àquela que nos foi aqui apresentada. Seguiram-se “Sunbird” e “Renaissance”- inclusões na versão reeditada de Highway Moon – bem-dispostas e exemplos de um pop descomprometido, mas extremamente bem conseguido, para fechar, por ora, o baú das memórias, pois o mote (ainda) era o álbum Cherry Domino.


A entrada de “Highlights” releva bem a evolução dos Best Youth na construção de canções pop. As referências e lembranças à tão-presente década 80 não será motivo para minorizar a obra dos Best Youth, antes pelo contrário, é motivo de orgulho tal como nos mostra “Coincidence”, a balada que trouxe, por breves momentos, a calmaria ao público do Timeout Market.


Mas o tempo escasseava; “Desintegrate” – tema que fecha o novo álbum – com uma tonalidade subliminarmente jazzy, mas altamente eficaz, e onde a voz de Catarina Salinas subtilmente nos guia num refrão viciante fechou a sequência de novidades.


Para o final ficaram os trunfos, as que faltavam ouvir – as que queríamos ouvir! – primeiro o single que antecedeu Cherry Blossom: o magnífico “Midnight Rain”, prova brilhante do synth pop dos Best Youth, desde os sintetizadores reminiscentes aos New Order aos acordes da guitarra límpida de Ed Rocha Gonçalves, que podiam lembrar os The Sundays. A fechar, a mais-do-que-aclamada “Mirrorball”; peça-chave do primeiro álbum e, sem dúvida, a mais aguardada. Não houve dúvidas: a noite tinha sido ganha. Pelos Best Youth e por nós. E queríamos mais.

Ed Rocha Gonçalves e Catarina Salina, muito envergonhadamente, disseram-nos que não tinham preparado encore, mas ainda ofereceram “When All Lights Are Down”, o final de um concerto que não serviu apenas para apresentar o novo álbum dos Best Youth, mas para os (re)confirmar como um dos projetos de música pop made in Portugal mais interessantes desta década.

Será seguro aconselhar os Best Youth a preparar encores doravante. Diz que é preciso.



terça-feira, 10 de julho de 2018

Christina Aguilera - Liberation | Album Review

Aviso à navegação: esta review está longe de ser imparcial. :P


Finalmente chegou o tão aguardado oitavo álbum de estúdio de Christina Aguilera! Como uma das minhas artistas favoritas de sempre, desde o Stripped (que ouvia, cantava e sabia de cor de trás para a frente, aos 12 anos de idade, e ainda hoje, aos 28, é dos meus álbuns de eleição e não dispenso cantar uma boa “Walk Away” com ela), não o ouvi de imediato assim que saiu, mas nas últimas duas semanas não tenho ouvido outra coisa. Tinha de o conhecer ao detalhe!

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Para mim, o melhor álbum dela foi mesmo o Stripped e ainda não foi este seu mais recente trabalho que tirou o outro do primeiro lugar no pódio. Também adorei o Back to Basics mas, depois, o Bionic e o Lotus foram uma regressão. Nunca me convenceram a 100%, por mais que tentasse. Então, a expectativa era alta para este novo trabalho – Liberation – mas sempre com um pé atrás.

Surpreendeu pela positiva, mas ao mesmo tempo, deixou um pouco a desejar em alguns aspectos. Há músicas que amo e outras que não me dizem nada (e, ainda, uma que detesto mesmo). Mas de um modo geral, gostei muito deste álbum, só acho que tem poucas músicas. 15 músicas, em que 4 são intros; então, só dá 11 músicas completas. Chego ao fim do álbum com vontade que houvesse pelo menos mais 3 ou 4.

Mas antes de ir já para o que falta no fim, comecemos pelo início!

Liberation

Interlude bonito, mas é só isso (já foi feito, já foi ouvido, está uma introdução bonita mas não passa muito disso; gostava que tivesse mais a voz dela, em vez de ser só instrumental – tipo o interlude Love Embrace, por exemplo).


Searching for Maria & Maria
Incluo estas duas faixas numa só, visto que a primeira é o interlude da segunda. Maria reflecte o sentimento de Christina (cujo segundo nome próprio é Maria) de se ter perdido de si própria ao longo do tempo. No Twitter, a artista partilhou que “Maria is a homage to the lost side of herself”. Enquanto que, em Stripped, a ideia que imperava era a de ser ela mesmo enquanto artista (contrariando o ter começado a sua carreira ao vender a sua alma), ao longo da sua carreira acabou por se perder um pouco e agora procura novamente o espírito dela. Recorrendo à personagem de Maria do filme The Sound of Music (A Música no Coração, em português), utiliza-a como uma metáfora para uma versão mais jovem e inocente de si mesma, reflectindo sobre o impacto que uma vida sob a luz dos holofotes teve sobre ela, trazendo uma espécie de crise de identidade provocada pela fama.

All my life, wouldn't give up
Was too young to know the difference
How did I get so low?
When did I turn so cold
Inside of my own mind, I believe my own lies
I'm facing the mirror

Where, where, where is Maria?
Why, why, why don't I see her?
I, I just wanna see her
Why, why, why don't I see her?
I, I just need to see ya, Maria


Definitivamente, um momento introspectivo. Em termos sonoros, na minha opinião, é uma das melhores, senão mesmo a melhor faixa do álbum. É completa em todos os sentidos, e em certos momentos até me remete um pouco para a sua faixa Mercy (do álbum Back2Basics), com alusões a um ser divino e a uma espécie de salvação (“Oh, my lord / Can you take away this heavy load? / I can't carry it anymore / I'm callin' an angel, where is my saviour"). 

Em termos de voz, nem vale a pena destacar muito mais que, para mim, é a melhor voz pop de sempre. Algo que está bem presente no grito quase de revolta dela na bridge "Can you hear me calling? My whole world is falling!".

Dificilmente alguém a conseguirá suplantar neste campo. A voz dela é simplesmente per-fei-ta. Sem qualquer imparcialidade da minha parte! :P

Sick Of Sittin'

Aqui está a única música deste álbum que simplesmente não gosto nada. Numa tentativa de ter uma Fighter neste álbum também, mas Sick Of Sittin' não chega aos calcanhares de Fighter. Então, não tendo nada de bom a dizer, não direi mais nada...

Dreamers

Mais uma intro, com diversas vozes de crianças a dizer o que querem ser quando crescerem. Achei fofo, mas só isso. Não é uma música. Faz sentido, though, preceder a faixa seguinte...

Fall in Line

E duas rainhas juntaram-se e fizeram magia, nesta canção em conjunto com a não menos diva Demi Lovato! Outra faixa que, para mim, é das melhores do álbum. O movimento #MeToo está aqui bem presente, com uma mensagem bem forte de empoderamento feminino – assim, no seguimento de Dreamers, Aguilera e Lovato cantam a plenos pulmões que não foram feitas para simplesmente ficarem “na linha” (“I wasn’t made to fall in line”). Um incentivo a que corramos atrás dos nossos sonhos.

Ainda que Demi seja, também ela, uma pop star de excelência, nesta música a voz de Christina claramente acaba por dominar bastante. Lá está, dificilmente alguém suplanta a rainha Christina. E eu gosto imenso da Demi, também.

Right Moves

Depois de um início de álbum bem introspectivo, surge uma faixa bem mais light, com uma vibe meio hazy e com muitas influências reggae. Um pouco como "Get high on the beach" de Lana del Rey. É uma música girinha, mas que fica longe de me deslumbrar.

Like I Do

Esta foi amor à primeira audição. Aquele início bem prolongado, aquela vibe badass que eu gosto tanto nela, o facto da voz dela só entrar após o primeiro minuto completo e ser uma lufada de ar fresco. A referência ao grande Marvin Gaye e a sua tão famosa música “Let’s Get It On”. A voz dela utilizada de forma doce mas fierce ao mesmo tempo, as estrofes em rap de GoldLink, aquela batida constante, aquele sintetizador ousado. É uma música extremamente bem conseguida, do início ao fim, completamente viciante – daquelas que oiço em repeat, repeat e repeat sem me cansar!

Deserve

À semelhança de Masochist (que vou falar mais à frente, mas que referencio agora pois são duas faixas que, a meu ver, são equiparáveis), Deserve é uma balada eletrónica minimalista. Nada de extraordinário, mas bonitinha, catchy, que fica no ouvido. A-doro o efeito da voz dela nesta faixa.

Twice

Absolutamente uma das melhores faixas deste álbum. Com um início em acapella que me faz arrepiar sempre, começa o piano e as lágrimas querem rolar. Nem consigo descrever o quanto esta música me toca, a sério. A primeira estrofe, só a voz dela e o piano, e finalmente o refrão, em coro. A letra, extremamente triste e angustiosa, de quem “encontrou o preço do amor e perdeu a cabeça”. Continuo a achar que é nas baladas que Christina é melhor. Aquela voz tão suave quando tem de ser, e tão cheia e powerful quando tem de ser também. Mesmo só em acapella esta música seria fabulosa. Não adoro, AMO!

I Don’t Need It Anymore

Outra intro, só em acapella, e em coro. A line “I Don’t Need It Anymore” já tinha sido incluída na faixa Sick Of Sittin' mas escusado será dizer que, para mim, fica bem melhor neste interlude :P

Accelarate

Christina trying to be 2018. Well, she tried and she did it. Aqui está uma faixa extremamente atual mas que, a meu ver, não foi um tiro certeiro para ela. Bom, tenho mixed feelings! A primeira vez que ouvi na rádio, pensei, “Isto é a minha Christina?”. Muito básico. Gosto do embalamento e da melodia da estrofe “I be with my ladies you can find me there / Try to play us, we gon' start a riot up in here”, gosto (bastante) da bridge em rap de 2 Chainz, gosto muito da segunda bridge com aquele “Uh Uh Uh” básico e sintetizadores a acompanhar e adoro o final (os últimos 20 segundos).
Mas detesto a voz meio drunk do Ty Dolla $ign ali pelo meio da voz dela, acho a música pouco melódica, não acho piada ao refrão e acho a letra muito básica. Portanto... Ok, é um hit de rádio atual com alguma piada, mas fica-se só por aí. É que ela é capaz (e como o mostra noutras faixas deste álbum) de muito melhor.

Pipe

Sexy do início ao fim. Muito smooth, muito RnB, muito aliciante. Aquela batida constante e deliciosa. Não é das melhores, though! É das poucas canções em que Christina não puxa pela voz, mantendo um registo sempre estável e muito suave.

Masochist

Como já tinha referenciado mais acima, equiparando a “Deserve”, outra balada eletrónica. Desta feita, com uma letra que remete para a submissão dela em se deixar dominar por alguém que a magoa, culpabilizando-se por isso, sendo assim, some kind of masochist. “Cause loving you is so bad for me, but I just can’t walk away”.

Em termos de letra, sempre que oiço esta música lembro-me da sua icónica (e uma das minhas favoritas do álbum Stripped) música Walk Away. Parece ser uma constante, na vida de Christina, o dilema de estar em situações dolorosas das quais não consegue sair, não é? :P

Unless It’s With You

Mais uma que está no meu top 3 de melhores faixas deste álbum. Esta canção é, simplesmente, perfeita, para mim.

Em termos de letra, e apesar de ser na sua generalidade bastante “cliché” em termos de cheesyness de uma lovesong, gosto do twist do título e do final do refrão: “Cause I don’t wanna get married, unless it’s with you, unless it’s with you”. Podia ter dito simplesmente “I only wanna marry you”, mas inverteu a letra para passar a mesma mensagem.

A voz dela aqui, mais uma vez, completamente flawless. O que para muitos é “gritaria” (e compreendo), para mim é a melhor voz pop do mundo a manifestar-se em todo o seu esplendor.

E os coros e todo o ambiente de balada pop romântica dos anos 90 (em muitas coisas me faz lembrar músicas da Mariah Carey, por exemplo).

De todas as músicas, esta é a que já ouvi mais vezes. Para aí umas 3748.

Unless It's With You é um fim perfeito para este álbum, mas fico sempre com aquela sensação de que faltam mais algumas faixas. Está demasiado curto, o álbum.


Posso dizer que Liberation é, a partir de agora, o meu segundo álbum favorito de Christina. Gosto menos do que o Stripped, mais mais do que o Back2Basics - os 3 melhores álbuns dela, na minha opinião. Continuo a ficar deslumbrada com a voz dela (oiço tanto e canto tanto, que tenho tics de voz dela!!!). Ela continua a arrepiar-me e até a chorar (neste caso, com a faixa Twice).

Amava que ela viesse dar um concerto e Portugal e nem olharia ao preço do bilhete. Se ela vier a algum país da Europa, sou bem capaz de voar até lá só para a ver ao vivo! Nunca vi!


terça-feira, 3 de julho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Katy Perry – Um mundo popsicle no parque da Bela Vista

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Ainda que o slogan do Rock in Rio Lisboa seja “A cidade do rock”, a edição de 2018 claramente ficou marcada pelo Pop. Foi um dos géneros predominantes do cartaz principal e, depois de Demi Lovato, Bruno Mars, Haille Steinfield e Jessie J, o último dia do festival termina em grande com a atuação de Katy Perry. 



Com um total de 23 músicas e nada menos do que seis mudanças de roupa (cada outfit mais extravagante que o outro), a artista mostrou que, para a sua primeira vez na versão portuguesa deste festival, dedicou-se à preparação do show e não se mostrou nada menos do que exuberante. Uma autêntica pop star. 

O concerto abre com um snippet de um tema do novo álbum, Witness, em que Katy surge por detrás de uma nuvem de fumo branco. Desafiando o público desde um primeiro momento, com a pergunta “Will you be my witness tonight?”, segue para outro tema do novo álbum, “Roulette”, com uma outra provocação, “Will you roll the dice?”. E chovem, sobre o público, confettis com as formas dos naipes de um baralho de cartas. 

Foto: Agência Zero

Se começa o seu concerto com provocações, continua com uma vibe meio obscura, meio sensualizada, com o tema “Dark Horse” – mostrando aqui o lado badass de Katy (que, usualmente, tende a ser mais doce, e cotton-candy-like). De um modo geral, pode-se dizer que Katy é uma artista versátil, encarnando várias personagens, vários estilos tanto visuais como musicais, e isso foi transposto para este concerto. Temos como exemplos clássicos o teenage pop-rock, meio revoltado (com temas como “Part Of Me”) e a versão mais dance eletrónica e muito popsicle pop como “Chained to The Rythm”, “Last Friday Night” e “California Girls”. O concerto foi completo, e até teve direito a uma mascote (muito fofa!) em forma de tubarão durante a música “Teenage Dream”. E, claro, ao longo de toda a atuação, acompanham Katy performers de dança, com outfits extravagantes que tornaram o espectáculo visualmente mais rico. 

O seu primeiro hit “I Kissed a Girl” surge exatamente a meio do concerto e é um momento de grande euforia, sobretudo porque neste tema a artista pousa sobre si uma bandeira arco-íris, símbolo da causa LGTB – passando uma mensagem importante e atual, de inclusão, tolerância e aceitação. Katy sabe que tem influência sobre as camadas mais jovens e utiliza a sua popularidade para promover princípios importantes. Foi uma atitude de louvar e aplaudir. Aliás, ainda que possa ser uma “moda”, a verdade é que muitos artistas hoje em dia utilizam a sua influência para defender mensagens importantes; Jessie J, que pisou o palco minutos antes de Katy, também havia passado ao longo do seu concerto algumas mensagens de auto-amor. 
Foto: Agência Zero

Outro momento de grande euforia foi o famoso “Hot n’ Cold”, no qual a artista surge vestida com um painel digital no peito que vai mostrando as palavras “Hot” e “Cold“. Aproveitando o facto de ter ascendência portuguesa (um dos seus tetravôs é dos Açores), cria um momento de interação brutal com o público, questionando como se dizem estas palavras em português; depois de, em uníssono, todos dizermos “quente” e “frio”, a cantora repete as palavras com um sotaque quase perfeito, tudo isto antes de começar a cantar. 

O concerto contou, ainda, com bastantes temas do seu recente álbum – “Dejá Vu”, “Power”, “Into Me You See”, “Bon Appetit” (esta, com direito a uma pequena mescla com “What Have You Done For Me Lately” de Janet Jackson, em jeito de tributo) e ainda “Pendulum” como uma das músicas do Encore. Nota-se um crescimento, um amadurecimento evidente de Katy enquanto artista, neste seu último trabalho, em comparação com os anteriores. Se, antes, Katy era muito teenage-highschool-pop, neste último álbum a artista revela, aqui, um lado mais obscuro, e com uma certa influência futurística e tecnológica (talvez o tema também ele comercial “Swish Swish” seja o que mais destoa desta vibe geral do novo álbum, regressando às suas origens mais pop e catchy); ainda assim, continua na linha pop, sendo referenciado pela imprensa como Futurepop – uma junção de synthpop com influências de trance. 

Porém, não foram as novas músicas que mais mexeram com o público, foi sim, com os êxitos mais antigos que o pessoal mais vibrou. “ET”, “Wide Awake” e “Roar” – cantada a plenos pulmões, pela Katy e por nós! – e “Fireworks” para o último encore, trouxeram nostalgia aos fãs que a seguem desde sempre. 

E foi com “Fireworks” e, mesmo, com fogo-de-artifício, que terminou mais uma edição deste grande festival.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

80´s & 90´s - Synthpop, dramatismo, euforia e outras coisas boas.


Eu nasci em 1990. Abril de 1990. 

Por isso, não tenho uma imagem muito clara dos anos 90 (anos 80 nem se fala, claro, é inexistente para mim). Nessa altura era um bebé e depois criança, e o mundo só começou a tornar-se "real" a partir dos anos 2000 (memórias mais sólidas a partir daí).

No entanto, algo dentro de mim é verdadeiramente apaixonada pelos grandes hits dos anos 80 e 90. Estes hits, o que era "comercial" na altura (e que os meus pais, mais particularmente a minha mãe, passavam a vida a ouvir, deve ter sido por isso!), mas era um comercial que nada tem a ver com o de hoje em dia. E SIM, eu gosto de alguma música comercial de hoje em dia!!! Sobretudo porque no âmbito do meu trabalho atual sou "obrigada" a ouvir, por isso algo acaba sempre por "entrar"; mesmo assim, consigo distinguir a qualidade de umas e de outras coisas. Este comercial que aqui vou pôr hoje, de uma época diferente e que marcou muito, é um comercial de muita, muita qualidade. 

Dos 80´s, adoro tudo, ou quase. Mesmo a música que se faz hoje em dia e que tem influências dos 80's (exemplo M83) eu a-do-ro!

Adoro synthpop - é capaz de ser dos meus géneros de eleição - que os anos 80 viram nascer.

Adoro o jogo de sintetizadores, aquela batida tão sui generis, todo o estilo e feeling envolvidos.

Adoro o cheesy e eufórico dos 90's, e para mim todas ou quase todas têm um denominador em comum: um toque extremamente sensual e ao mesmo tempo dramático! :D

Mas acima de tudo, de um modo geral são músicas felizes (até mesmo as baladas têm aquela nostalgia feliz). E eu já aqui disse o que sinto em relação a música feliz, não já? :P


Então deixo aqui alguns clássicos que eu mais gosto, dos anos 80 e 90:

80's


(AQUELE SAXOFONE... UIIIII)



E UMA DAS MINHAS FAVORITAS OF ALL TIME:

 

E por fim, duas descobertas bastante recentes (tipo no último ano ou 2 anos no máximo), de duas bandas dos anos 80 que não são muito conhecidas... e para mim foi amor à primeira audição: COLOURBOX e PROPAGANDA!!!





 E a sua "irmã gémea" versão mais enérgica:





 90's

Para mim, os 90's ficaram, definitivamente, marcados pelas Spice Girls.

Esqueçam lá Britney Spears, Christinas Aguilera's (que mais tarde, já nos anos 2000 viria a tornar-me grande fã), Backstreet Boys... Esquece lá isso, SPICE GIRLS foi A CENA DA MINHA INFÂNCIA E PRÉ-ADOLESCÊNCIA!

E acreditam que, ainda hoje, tenho o CD delas (do álbum Spice) no carro, e que de vez em quando ainda oiço (já riscado, coitado, mas é uma relíquia para mim)? Alto e bom som e a gritar em altos berros as letras que hoje sei de cor, mas que com 8 ou 9 anos inventava totalmente - tipo dizia "bidé" naquela parte do "be there". A sério, lembro-me disto como se fosse ontem, tão viva esta memória!

Sem vergonha alguma: AMO SPICE GIRLS!

Não só pelo significado pessoal que tem, mas porque temos de reconhecer que é pop de qualidade!

Acho que todo este álbum (para mim O Álbum delas) está excelente, por isso deixo-o inteirinho:



 Apesar do destaque claro que Spice Girls têm na categoria 90's, há também outros meandros que me apaixonam por esta altura:

 


 E pronto, por hoje é isto. Uma viagem no tempo, deliciosa. :)