terça-feira, 26 de junho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Demi Lovato – Toda a garra do mundo na sua voz

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Demi Lovato


Se há palavra que descreve, na perfeição, Demi Lovato, essa palavra é (e à falta de melhor tradução em português) fierceness. E é com essa fierceness que a artista sobre ao Palco Mundo do Rock in Rio-Lisboa, e abre o espetáculo – o primeiro de Demi em Portugal – com o tema “Confident”. “What’s wrong with being confident?” é a frase que é repetida no refrão, mostrando que estamos perante uma mulher confiante em si mesma, com uma indescritível e contagiosa atitude de poder. Muito girl-power-like, de uma artista que começou como atriz infantil na Disney, e se transformou na mulher que é hoje.

Segue-se o grande hit “Cool For The Summer” – com uma atitude bem atrevida acompanhada de sintetizadores bem garridos, eis mais um tema extremamente atual e catchy. Em “Heart Attack”, conseguimos perceber claramente (tanto ao vivo, como no tema original do álbum) a influência power pop – um subgénero de rock caracterizado pelo uso de melodias fortes que, combinadas com riffs de guitarras, formam uma estrutura rítima característica do hard rock mas com uma sonoridade extremamente pop – bem presente no trabalho da artista. Mas foi “Neon Lights” que pôs a plateia da Bela Vista (completamente lotada, por sinal) aos pulos, literalmente.


Demi não é de falar muito com o público mas, após uma ou outra palavra mais tímida, brinda-nos então com dois temas muito dançáveis e apelativos – “Sexy Dirty Love” e “Daddy Issues” – intercalados com a naughty “Games” e a pop punk “Really Don’t Care”.

Em contraste com, por exemplo, uma das suas conterrâneas – Ariana Grande, com aquela sua doçura imensa – Demi apresenta um timbre de voz mais seco, salgado (por oposição ao doce). Esta característica da sua voz é clara mesmo nas suas baladas mais melancólicas, tais como “Concentrate”, “Don’t Forget”, “Sober” (esta última escrita pela própria, a propósito do seu histórico de vício em drogas, e lançada há apenas cinco dias), a tão conhecida e badalada “Stone Cold” – cuja primeira estrofe toda a gente sabia de cor, e quantas lágrimas não rolaram! – e “Scyscraper” (uma das canções mais bonitas que ela já fez). 

Após uma mudança de vestuário, o show continua, e muito bem, com um dos temas mais comerciais do momento, “Promise me no Promises” (originalmente de Cheat Codes, e na qual Demi participou). Seguem-se “Échame la culpa” e “Solo”, dois momentos dos mais festejados, mas que destoaram, por completo, de todo o concerto. O reggaeton característico destes dois temas em nada se encaixa no resto do repertório, o que acabou por ficar um pouco fora de contexto. 

Mas terminou em grande, com “Tell Me You Love Me” e “Sorry Not Sorry”, com back vocals que encheram ainda mais duas músicas já de si tão cheias de power, e que fizeram as delícias para os fãs mais acérrimos.






Ainda que esteja longe de ser uma das melhores vocalistas pop (quando comparada, por exemplo, a outros nomes atuais como Christina Aguilera ou Beyoncé), e ter ainda muito por onde crescer, é de destacar que Demi canta de forma irrepreensívelmente afinada, tendo conseguido superar as notas mais desafiantes, mesmo ao vivo. 

Quase, quase o suficiente para nos fazer arrepiar. Ainda não chegou lá, mas tem muito potencial. O que não lhe falta é, certamente, a tal fierceness para ser vencedora no que faz!

Texto original para Echo Boomer.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Carolina Deslandes – O Dia Mais Feliz das Nossas Vidas

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Carolina Deslandes  

Carolina Deslandes é, atualmente, um das figuras artísticas mais reconhecidas no panorama musical nacional. Tendo iniciado o seu percurso no concurso de talentos Ídolos, em 2010, já nesta altura demonstrava um talento que prometia. 

Prometia e cumpriu. Em 2016, lança o seu primeiro álbum de estúdio, Blossom. Tal como o nome indica, representava a desabrochar de Carolina enquanto artista, mas também enquanto mulher. Num registo muito pop electrónico, conta com um conjunto de temas bastante atual, jovem, teen, contemporâneo, irreverente até. E foi precisamente com um tema do álbum Blossom que Carolina Deslandes abriu o seu concerto no palco Music Valley, do Rock in Rio-Lisboa, no final da tarde deste primeiro dia de festival. 

Apenas com o instrumental de “What Do You Know, Boy?” – percetível certamente apenas aos mais atentos e conhecedores deste seu primeiro álbum, Carolina entra e é recebida com euforia, e o concerto prossegue dentro do mesmo registo, com os cativantes temas “Fuse” e “Carousel”, iniciando, assim, o concerto numa high-note e com sentimentos de positivismo e alegria. Após um breve discurso e agradecimento da artista, que mal acreditava estar a pisar um palco deste reconhecido festival, Carolina dá as boas-vindas ao seu público de uma forma muito sua: “Sejam bem-vindos ao dia mais feliz das nossas vidas!”. 

Ainda do seu primeiro álbum, tivemos o tema “Mountains”, um dos seus singles mais conhecidos, em parceria com o Agir – amigo que, afirma com emoção, ter sido a pessoa que fez com que ela voltasse a abraçar a sua carreira, num momento em que não tinha perspetivas nem esperança – e “Heaven”, balada dedicada ao seu falecido avô, em jeito de homenagem. 

Até agora, Carolina apresentou ao público dois álbuns que marcam por serem contrastantes. Se o primeiro (Blossom) é claramente mais pop, dançável, eletrónico – registo com o qual abriu este concerto – já o segundo é, como o próprio título indica, um regresso a Casa. Se, no primeiro álbum, a artista quis sair da sua zona de conforto, arriscar, procurar incluir inspirações do panorama musical comercial atual (Rihanna, por exemplo), no álbum Casa, Carolina surge mais aquilo que ela é. A Casa é, sem dúvida, aquilo que ela é. Uma singer-songwriter pejada de emocionalismo, de amor, de verdade, com muitas influências de música brasileira e bossa nova, com melancolia, que fala do coração dela diretamente ao coração dos outros. 

Diogo Clemente – pessoa com quem, afirma Carolina, “fez música e filhos” (risos do público) – entra em palco para um emocionante dueto, com a canção simplesmente amorosa “Coisa Mais Bonita”. Ainda muito dentro deste registo, tivemos o prazer de ouvir as deliciosas canções “A Miúda Gosta” e “Não Me Deixes” (com a convidada especial Maro, também ela uma excelente vocalista). Mas foi mesmo com “A Vida Toda” que o público vibrou – Carolina confidencia que um dos sonhos dela era um dia ser uma artista que tivesse “pelo menos uma música que toda a gente soubesse cantar por ela”, e conseguiu-o muito bem, não só com “A Vida Toda”, como também com “Avião de Papel”. E Carolina agradece, a nós, ao universo, por estar ali, e por “fazermos da nossa casa, a casa dela”.

Carolina mostra, ainda, ser uma artista versátil, ao presentear o público com um medley de covers, nomeadamente Britney Spears, Da Weasel, Ornatos Violeta e Dillaz. 

É de destacar a componente extremamente humana de Carolina. Um dos motivos para ela ser tão acarinhada pelo seu público é, sem dúvida, a intimidade que ela tem com quem segue o trabalho dela, a emoção e autenticidade com que ela faz tudo e se mostra ao mundo. Foi sempre com emoção que, ao longo deste concerto, Carolina interagiu com o público com um enorme sentimento de gratidão, por saber que são aquelas pessoas que alimentam o sonho dela. Sempre com uma genuinidade deliciosa, tão própria dela, a artista partilha lágrimas ao vivo, afirmando que ainda nem consegue acreditar que está a cumprir este sonho na vida dela. E deixa o seu público feliz, feliz por ela!

Texto original para o site Echo Boomer.


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Why sometimes less is more - A dissertation on the love of music and other things


Nota: o post que se segue é escrito em inglês. Ainda não me decidi se o vou reescrever na nossa língua materna, mas, para os que não se importam com pontuação, gramática, contexto e outros pormenores que tais, podem sempre pegar no link do post (https://uncertainsmilex.blogspot.pt/2018/05/why-sometimes-less-is-more-dissertation.html) e ir ao Google Translate. Bem sei que se perde toda a intimidade... but that's the future, no? 😛


As some of you might know or have figured it out, I like to discover new music and a little more than a decade ago I found out my favourite way to do it: by reading blogs! I use to read a few blogs of people that wanted to share their music.

Now, for a short story:

In late 2013 while browsing around - can't really remember where - I found this brilliant piece of synth-pop:

Ranger by Me and Karen



This song really captivated me. It was one of those songs that I immediately wanted to share with my friends and father (which I did!) and made me look for whatever other songs these guys - Me and Karen (https://soundcloud.com/meandkaren) - had. 

4 songs. And that was it. Problem? They're all very good! So, predictably,  I kept listening to the same 4 songs very intensively for months and - now for a bit of trivia about me and her - by March of 2014, Cláudia and me were getting to know each other and "Ranger" was among the first songs I showed her. And expectedly enough, Cláudia, as a true lover of pop as it is, also was hooked on all of the songs by Me and Karen.

A few months later on an EP appeared on their Soundclound but alas... nothing more ever since. Cláudia and myself kept on listening to them but, naturally, the airplay had shifted to other things and Me and Karen songs went from recursive to frequent to occasional a year after.

Fast-forwarding to a few Saturdays ago: Me and Karen start playing - shuffle, how I love you sometimes - and we had that same reaction "Ohhh... this song!!" (and I also had a bit of a laugh trying to make Cláudia's forgotten mind about the name of the band) and I went to their Facebook and Soundcloud pages... nada! Nothing new to see.

But then, just a few days later, someone just contacted me:




 Michael Bartlett - one of the minds behind Me and Karen (the other being Karen, obviously)


Michael wanted me to know (and Cláudia, as well) he had made a new song under his new guise Bruce James!!

(https://soundcloud.com/brucejamestunes/plastic - a very cool synthwave tune!)

This was really nice of him and truly an unexpected coincidence given the story above! 😃 (and the reason that made me want to write this lengthy post)

Eventually we chatted up a bit and I found out they also doing more work in another band, a more progressive-rock act called Oh So Peligroso (https://soundcloud.com/ohsopeligroso), and other bits and pieces regarding his work.

It's funny how, sometimes, one doesn't realise the fact that showing someone appreciation  - even if by a inconsequent (!) like on a band Facebook page - of their work is important enough so they can continue sharing with us the fruition of their creations. I can surely understand why Michael approached me in the first place: it's much more easy to share with someone who has showed appreciation before. According to Michael, me and Cláudia were some of their non-family-and-friends fans. 

One thought came to my mind: a remembrance that not every artist gets instant recognition of their work, as good and relevant as it is (and should be). Along with it came the fact/judgement: having more ways and opportunity to show yourself to the world is not a guarantee that it will happen.

 As for me... I'd be very happy if someone would share the same fondness for these wonderful artists. 



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sam Smith na Altice Arena: A magia do soul-pop gospel


Por muitas palavras que pudesse utilizar, nunca nenhuma seria suficiente para descrever a intensidade e majestosidade que marcou este grande concerto de Sam Smith, o primeiro em nome próprio em Lisboa, último da tour “The Thrill Of It All” e a umas meras duas horas do dia do seu 26º aniversário.

Talvez por isso o artista tenha surgido com uma energia surpreendente e avassaladora, numa envolvente cinematográfica, sentado e dobrado sobre si mesmo num alçapão que surge lentamente desde dentro do palco, com o tema “Burning”, iniciado em acapella. Um tema pejado de espiritualismo, quase como um drama envagélico, algo que, de resto, se faz sentir bem ao longo de todo o álbum The Thrill Of It All. Eis um álbum que transborda emoção, que aborda temas como a miséria do amor, a tragédia, a prostração e a autopiedade. Dramático, angustiante e muito profético, recorrendo à presença constante de elementos religiosos e back vocals que remetem para o gospel, bastante mais presentes, devo referir, ao vivo do que no próprio álbum.



A voz de Sam é, tal como a sua presença, majestosa, rica, que nos enche a alma de dentro para fora, literalmente. Envolta em toda uma aura de charme e de romantismo, capaz de apaixonar qualquer coração mais mole, cada nota faz-nos sentir que aquele momento é uma questão de vida ou morte, especialmente as mais agudas e tão perfeitamente afinadas, que nos fazem sentir on the edge, verdadeiramente capazes de provocar arrepios.

Num tom totalmente diferente, bastante mais leve e expansivo, seguem-se dois dos seus temas mais conhecidos, “One Last Song” e a maravilhosa “Crazy”. Foi, no mínimo, mágico e comovente ver tanta gente a cantar em uníssono estes temas.

Porque Sam Smith é um cantor de baladas pop por excelência, não podíamos deixar de ter o prazer de ouvir as maravilhosas canções “Lay Me Down”, “Nirvana”, “Say It First” e “Midnight Train”. Sabem aquelas músicas tristes mas felizes ao mesmo tempo, que quase (ou não apenas quase) nos fazem chorar? É isso. Até mesmo o tema “Latch”, em colaboração com Disclosure e originalmente um tema mais disco e dançável, é aqui apresentada como uma balada de lounge, despojada de batidas e linhas de baixo low key.

Ainda que Sam mostre bastante a sua alma pop sombria, existe um outro lado: o pop mais funky, com bastantes influências RnB e eletrónica. Foi com essa promessa que surgiram temas como “Omen” (mais uma vez em colaboração com Disclosure), “Money On My Mind” e “Restart” – sendo estas duas últimas, na minha opinião, dois dos melhores e mais catchy temas do artista, muito inspiradas no pop dos anos 90.

Voltando ao clima espiritual, surge o tema “HIM”, uma representação da homofobia religiosa, genuinamente poderosa e comovente. Como que numa oração, Sam aborda – com um franco tom vocal de desolação – o tema da homosexualidade assumida, algo que, até agora, tinha mantido fora da sua carreira artística. Em “The Thrill Of It All”, Sam inclui este tema, num gesto de transparência total e desafiando a posição da igreja quanto a este assunto, declarando “Holy Father, we need to talk / I have a secret that I can’t keep / I’m not the boy that you thought you wanted / Please don’t get angry, have faith in me (…) It is him I love / It is him” – sendo assertivo na sua palavra final e ao assumir claramente a sua posição. A meio da canção, Sam deixa uma mensagem ao seu público, afirmando: “Escrevi esta canção como uma mensagem para todos os que estão a ouvir: Amor é Amor!”. Foi um dos momentos mais imponentes de toda a noite.

Por esta altura, o acumular de emoções já pesava. Desde as canções soul-pop mais baladadas, nostálgicas e muito amorosas, aos ritmos funk mais dançáveis, sempre com aqueles maravilhosos back vocals que deram a todo o concerto um poderoso sabor gospel, muitas lágrimas já tinham rolado. Mas ainda tínhamos espaço para mais um pouco.

E Sam não desiludiu. Para dizer – literalmente – adeus, presenteou-nos com um dos seus mais conhecidos singles, o cativante “Too Good At Goodbyes”, na qual nos convidou a cantar vezes sem conta o refrão, e onde se demorou a dar o seu adeus final… até, claro, ao momento do encore.

Um encore que contou com os temas “One Day At a Time”, “Stay With Me” – se ainda havia lágrimas para chorar, só faltavam mesmo estes temas – e “Pray”, para terminar esta noite em grande; um dos meus temas favoritos, absolutamente grandioso, poderoso, divinal. Diria até mesmo épico.

E assim termina o espetáculo, voltando o artista ao ponto em que começou, no alçapão, sentado na sua cadeira solitária, com as mãos entrelaçadas, erguido sobre si mesmo como quem carrega em si a dor do mundo, desaparecendo para dentro do palco.

Sam Smith é a personificação perfeita de artista pop, reunindo fatores essenciais tais como um carisma incrível, simpatia extrema e humildade, uma voz brutal (capaz de dominar falsetes com uma facilidade impressionante) e uma presença incrível em palco. Fez-me querer continuar a ouvir, mesmo depois do concerto. E foi isso mesmo que fiz.


Uma palavra para resumir esta noite? É uma palavra muito, muito simples: linda.

Crítica escrita para o site Echo Boomer.


terça-feira, 8 de maio de 2018

X-Wife no Estúdio Timeout: À descoberta do novo e o rematar do saudosismo

X-Wife no Estúdio Timeout: À descoberta do novo e o rematar do saudosismo

O dia cinzento e marcado pela chuva matinal deu lugar a uma noite onde nos reencontrámos com os X-Wife num Estúdio Timeout algo composto, mas sem estar a abarrotar, em que a pronúncia do Norte era regularmente ouvida entre algumas das pessoas que foram testemunhar este regresso da banda composta por João Vieira, Rui Maia e Fernando Sousa. 

O mote foi o lançamento do novo álbum, homónimo, mas o sexto numa discografia iniciada já num longínquo 2003 (com o EP Rockin’ Rio) é que não foi descurada, antes pelo contrário. Numa apresentação despretenciosa, mas muito bem disposta, a banda veio relembrar-nos e reafirmar que, apesar da pausa prolongada – entre Infectious Affectional (álbum anterior) e este distam sete anos -, os X-Wife continuam a ser donos e senhores de melodias viciantes que acabam por nos conquistar o ouvido muito facilmente. 

Abrindo as hostes com “Lights Out” e “Sweet Paranoia”, a mensagem não podia ser mais clara: sim, a assinatura dos X-Wife neste álbum mudou um pouco, mas a génese continua a mesma. As melodias tornaram-se mais imediatas e, nestas novas composições, é possível notar influência dos projetos paralelos que os membros dos X-Wife integraram entretanto (White Haus e Mirror People, por exemplo). De notar que este novo X-Wife marca uma sonoridade mais diversificada, onde temos a presença do saxofone, por exemplo. 

Na apresentação ao vivo, o coletivo não desiludiu e veio acompanhado de uma secção de sopros (trompete e saxofone), vozes secundárias e, na bateria, Gil Costa – que já acompanhou João Vieira no último álbum dos White Haus. A escolha pareceu-nos acertada; as prestações foram muito bem conseguidas e a instrumentação extra nos temas novos acabou por pôr muita gente a dançar. 

À terceira canção da noite, os X-Wife voltaram a pisar território antigo, até porque, mais do que uma apresentação de um novo álbum, há todo um historial, que, após uma pausa prolongada, merece ser relembrado. “Keep on Dancing”arrebitou um público curioso pelo novo álbum, mas muito saudosista dos êxitos mais antigos. 

Não obstante, pela reacção ao single “This Game” e “Boom Shaka Boom” (já com alguma rotação nas rádios), é fácil de perceber que facilmente conquistaram quem lá estava para vê-los, fosse fãs recentes ou mais antigos. Fácil de perceber foi também o prazer que João Vieira e companhia dedicavam a cada prestação. O baterista Gil Costa esteve bastante bem, tendo tido um ou outro momento de protagonismo, como em “Coconuts”. O regresso era também motivo de festejo e foi dessa forma que os X-Wife nos foram levando ao longo da noite. À medida que iam apresentando o novo álbum, eram intercaladas canções das obras anteriores, para delícia de quem já os acompanha há mais tempo. Temas como “Ping Pong”, do 2º álbum Side Effects, ou “Fireworks”, do 3º álbum Are You Ready For The Blackout?, foram efusivamente recebidos e colmataram a saudade de ver os X-Wife ao vivo novamente. 

Para o final ficou guardado um trio de energia: o single “ Movin’ Up” – lançamento singular do grupo em 2015 que faz parte da banda sonora do jogo FIFA 16 – e, já no encore, “Action Plan”, do álbum de estreia Feeding the Machine, e um clássico para muita gente da plateia, finalizando com “That’s Right” numa versão bastante pujante. And that’s right… os X-Wife voltaram. E recomendam-se.

Artigo original no site Echo Boomer.