terça-feira, 3 de julho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Katy Perry – Um mundo popsicle no parque da Bela Vista

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Ainda que o slogan do Rock in Rio Lisboa seja “A cidade do rock”, a edição de 2018 claramente ficou marcada pelo Pop. Foi um dos géneros predominantes do cartaz principal e, depois de Demi Lovato, Bruno Mars, Haille Steinfield e Jessie J, o último dia do festival termina em grande com a atuação de Katy Perry. 



Com um total de 23 músicas e nada menos do que seis mudanças de roupa (cada outfit mais extravagante que o outro), a artista mostrou que, para a sua primeira vez na versão portuguesa deste festival, dedicou-se à preparação do show e não se mostrou nada menos do que exuberante. Uma autêntica pop star

O concerto abre com um snippet de um tema do novo álbum, Witness, em que Katy surge por detrás de uma nuvem de fumo branco. Desafiando o público desde um primeiro momento, com a pergunta “Will you be my witness tonight?”, segue para outro tema do novo álbum, “Roulette”, com uma outra provocação, “Will you roll the dice?”. E chovem, sobre o público, confettis com as formas dos naipes de um baralho de cartas. 

Foto: Agência Zero

Se começa o seu concerto com provocações, continua com uma vibe meio obscura, meio sensualizada, com o tema “Dark Horse” – mostrando aqui o lado badass de Katy (que, usualmente, tende a ser mais doce, e cotton-candy-like). De um modo geral, pode-se dizer que Katy é uma artista versátil, encarnando várias personagens, vários estilos tanto visuais como musicais, e isso foi transposto para este concerto. Temos como exemplos clássicos o teenage pop-rock, meio revoltado (com temas como “Part Of Me”) e a versão mais dance eletrónica e muito popsicle pop como “Chained to The Rythm”, “Last Friday Night” e “California Girls”. O concerto foi completo, e até teve direito a uma mascote (muito fofa!) em forma de tubarão durante a música “Teenage Dream”. E, claro, ao longo de toda a atuação, acompanham Katy performers de dança, com outfits extravagantes que tornaram o espectáculo visualmente mais rico. 

O seu primeiro hit “I Kissed a Girl” surge exatamente a meio do concerto e é um momento de grande euforia, sobretudo porque neste tema a artista pousa sobre si uma bandeira arco-íris, símbolo da causa LGTB – passando uma mensagem importante e atual, de inclusão, tolerância e aceitação. Katy sabe que tem influência sobre as camadas mais jovens e utiliza a sua popularidade para promover princípios importantes. Foi uma atitude de louvar e aplaudir. Aliás, ainda que possa ser uma “moda”, a verdade é que muitos artistas hoje em dia utilizam a sua influência para defender mensagens importantes; Jessie J, que pisou o palco minutos antes de Katy, também havia passado ao longo do seu concerto algumas mensagens de auto-amor. 
Foto: Agência Zero

Outro momento de grande euforia foi o famoso “Hot n’ Cold”, no qual a artista surge vestida com um painel digital no peito que vai mostrando as palavras “Hot” e “Cold“. Aproveitando o facto de ter ascendência portuguesa (um dos seus tetravôs é dos Açores), cria um momento de interação brutal com o público, questionando como se dizem estas palavras em português; depois de, em uníssono, todos dizermos “quente” e “frio”, a cantora repete as palavras com um sotaque quase perfeito, tudo isto antes de começar a cantar. 

O concerto contou, ainda, com bastantes temas do seu recente álbum – “Dejá Vu”, “Power”, “Into Me You See”, “Bon Appetit” (esta, com direito a uma pequena mescla com “What Have You Done For Me Lately” de Janet Jackson, em jeito de tributo) e ainda “Pendulum” como uma das músicas do Encore. Nota-se um crescimento, um amadurecimento evidente de Katy enquanto artista, neste seu último trabalho, em comparação com os anteriores. Se, antes, Katy era muito teenage-highschool-pop, neste último álbum a artista revela, aqui, um lado mais obscuro, e com uma certa influência futurística e tecnológica (talvez o tema também ele comercial “Swish Swish” seja o que mais destoa desta vibe geral do novo álbum, regressando às suas origens mais pop e catchy); ainda assim, continua na linha pop, sendo referenciado pela imprensa como Futurepop – uma junção de synthpop com influências de trance. 

Porém, não foram as novas músicas que mais mexeram com o público, foi sim, com os êxitos mais antigos que o pessoal mais vibrou. “ET”, “Wide Awake” e “Roar” – cantada a plenos pulmões, pela Katy e por nós! – e “Fireworks” para o último encore, trouxeram nostalgia aos fãs que a seguem desde sempre. 

E foi com “Fireworks” e, mesmo, com fogo-de-artifício, que terminou mais uma edição deste grande festival.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | The Chemical Brothers – Um verdadeiro assalto aos sentidos

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Há espetáculos que nos prendem desde o primeiro minuto, e a atuação dos The Chemical Brothers é um exemplo disso mesmo. Mais do que simples música, a banda apresenta uma exposição visual incrível, completamente hipnotizante.

The Chemical Brothers no Rock in Rio 2018


“Go” foi o tema eleito para a abertura deste espetáculo – escolha não despropositada pois foi o primeiro single do último álbum Born in Echoes – que acaba por ser muito mais do que um simples concerto. É uma experiência autêntica, do início ao fim. Misturando o género eletrónico com big beat, dance music alternativa e trip-hop (com a sua natureza psicadélica), a banda consegue criar uma sonoridade muito sui generis

Intercalando entre temas que, por si só, já se tornaram históricos na obra dos Chemical Brothers – caso inevitável “Do it Again” do álbum We Are The Night de 2007 (sim… já lá vai uma década), ou indo ainda a hinos mais antigos (“Block Rockin’ Beats”, “Hey Boy Hey Girl” e “Galvanize”) como ainda um cheirinho do que aí virá com a nova “EBW 12”, houve espaço para intrusões à já vasta discografia dos rapazes de Manchester. 

Tom Rowlands e Ed Simons, a dupla que forma esta banda, optam por se esconder ao fundo do palco, algo que é já característico dos dois artistas nas suas atuações ao vivo, deixando o destaque dos seus espetáculos ser os efeitos visuais que apresentam, em detrimento de si mesmos. E que espetáculos! Fascinantes, tema após tema, o que se apresenta diante dos olhos do público, puxando por todos os sentidos, sempre com vídeos e efeitos visuais altamente apelativos. Tanto, ao ponto da música em si quase ser secundária, mas fazer ainda mais sentido. 

The Chemical Brothers no Rock in Rio 2018

Outra característica dos concertos de The Chemical Brothers: a sensação de continuidade; quase não existe “intervalo” entre as músicas, elas estão sempre ligadas de forma fluída. Uma sensação de expansão – como se sente bem presente nos temas “Escape Velocity” e “Snow/Surface to Air” – é também uma constante. 

 A música, essa, é feita como que por camadas: começa devagar, de forma básica mas (muito) apelativa, quase previsível… até deixar de o ser, com o acrescentar progressivo de novos sons e batidas. Minimalista conquista-nos até nos assoberbar. E se isto já é arrebatador nos álbuns da banda, ao vivo é ainda melhor, como um exponenciar de sentidos, cada batida que fazia estremecer o chão e entrava no nosso corpo. Isto, com toques psicadélicos de sintetizadores a tocar numa espécie de madness

 No final, a sensação com que sai dum concerto dos The Chemical Brothers é sempre a mesma: um verdadeiro assalto aos sentidos. E o mais impressionante é que a sensação já perdura há uns longos 23 anos.

Crítica escrita para o site Echo Boomer.


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Bruno Mars – Funk & Fogo de Artifício

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Rock in Rio Lisboa 2018 | Bruno Mars – Funk & Fogo de Artifício


Bruno Mars é, frequentemente, referenciado pela imprensa como sendo o novo Rei do Pop. Uma comparação clara e direta ao grande Michael Jackson. Ainda que seja uma comparação algo ousada (e muito subjetiva), facto é que os trabalhos artísticos de ambos partilham particularidades muito próprias, misturando estilos como pop, funk, soul, blues, R&B, synthpop e uma pitada de hip-hop, formando tons e ritmos únicos e tornando as obras de ambos extremamente completas. Já para não falar no enorme carisma que têem os dois artistas, assim como a excelente habilidade para a dança. 

Talvez por ser comparado a tão grandiosa figura artística, sendo nomeadamente vencedor de inúmeros prémios, Bruno Mars é uma das sensações do momento e foi o único que, este ano, esgotou a lotação máxima do parque da Bela Vista. “Finesse”, o seu mais recente single, é o tema de abertura, trazendo a 2018 sons dos anos 90, com a sua linha de bateria constante acompanhada de efeitos sonóricos nostálgicos. O mote para um concerto todo ele marcado por uma onda old school e funk constantes – como, de resto, está presente um pouco por todos os álbuns do artista. 

Segue-se outro grande êxito do momento, “24K Magic” - numa mistura daquela vibe old school muito própria dele, mas com elementos muito atuais – voltando, de seguida, ao seu álbum anterior, com “Treasure”. Sempre numa onda de energia e boa disposição, temas como “Perm” e “Chunky” levam o público ao rubro. 

Para além das músicas, os efeitos de luzes foram também uma constante, criando um cenário visual impressionante – incluíndo espectáculos de pirotecnia e fogos-de-artifício não só fora, como dentro do palco, no seu expoente máximo duante o tema “Locked Out of Heaven”. Afinal, que mais pede a música de Bruno Mars, que não festa, confettis e alegria, numa atitude de felicidade contagiosa?! Uma energia absolutamente incrível. 

E com um “Lisbon! Come On!” adivinha-se outro grande hit, “That’s What I Like”, levando quase ao êxtase os fãs mais apaixonados... por um artista com um charme incrível e um talento impressionante! Este tema foi muito bem interpretado, com um final em acapella fascinante, back vocals masculinos, numa onda apaixonadamente soul. Aqui se notou bem a interação que Bruno tem com a sua banda, composta por cinco músicos, dançarinos e artistas; tão fluída, tão bem orquestrada e sincronizada, capaz de trazer um fluxo de energia extraordinário que transparece e contagia quem assiste. 


Mas nem só de êxtase e entusiasmo se fez este concerto. Numa onda mais romântica (e, lá está, nunca é demais repetir, extremamente soul-funk), as baladas “Calling All My Lovelies”, “Versace On The Floor” (antecedido por um solo de saxofone absolutamente maravilhoso) e “When I Was Your Man” fizeram as delícias dos corações mais apaixonados da plateia, cujas lanternas do telemóvel conseguiram iluminar todo o espaço de recinto em frente ao palco. Especialmente em “When I Was Your Man”, canção que o artista canta praticamente em acapella, acompanhado apenas pelo coro da sua vasta legião de fãs. Floreando e prolongando-se em cada final de cada balada, presenteando-nos com repetições do refrão e arranjos vocais elaborados a solo e em coro, pejados de romantismo e até meio cheesy, que faz lembrar os não menos míticos no mundo pop/soul, Boyz II Man. 

Ainda que este concerto se tenha centrado maioritariamente no seu mais recente álbum, 24k Magic, o artista não podia deixar de nos brindar com alguns dos seus temas de sucesso mais antigos, entre os quais “Runaway Baby”, “Just The Way You Are” e “Marry You” (as três do seu primeiro álbum), – com direito a uma breve atuação só em guitarra (num primeiro momento, a solo), mostrando mais uma vez, que Bruno Mars é um jovem artista muito versátil nos seus talentos. 

E após um show deslumbrante e muito, muito intenso, para o já tão esperado Encore, tivemos um outro grande êxito: “Uptown Funk”. Como era de esperar, um dos momentos mais UP da noite. Para acabar este show de funk, literalmente, em altas! 

Bruno Mars trouxe funk, fogo de artifício e extravagância a Lisboa. Desaparece, agora, por detrás de uma enorme nuvem de fumo branco. Rebuscado, como ele é.

Cláudia Silva - Texto escrito para o site Echo Boomer.


terça-feira, 26 de junho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Demi Lovato – Toda a garra do mundo na sua voz

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Demi Lovato


Se há palavra que descreve, na perfeição, Demi Lovato, essa palavra é (e à falta de melhor tradução em português) fierceness. E é com essa fierceness que a artista sobre ao Palco Mundo do Rock in Rio-Lisboa, e abre o espetáculo – o primeiro de Demi em Portugal – com o tema “Confident”. “What’s wrong with being confident?” é a frase que é repetida no refrão, mostrando que estamos perante uma mulher confiante em si mesma, com uma indescritível e contagiosa atitude de poder. Muito girl-power-like, de uma artista que começou como atriz infantil na Disney, e se transformou na mulher que é hoje.

Segue-se o grande hit “Cool For The Summer” – com uma atitude bem atrevida acompanhada de sintetizadores bem garridos, eis mais um tema extremamente atual e catchy. Em “Heart Attack”, conseguimos perceber claramente (tanto ao vivo, como no tema original do álbum) a influência power pop – um subgénero de rock caracterizado pelo uso de melodias fortes que, combinadas com riffs de guitarras, formam uma estrutura rítima característica do hard rock mas com uma sonoridade extremamente pop – bem presente no trabalho da artista. Mas foi “Neon Lights” que pôs a plateia da Bela Vista (completamente lotada, por sinal) aos pulos, literalmente.


Demi não é de falar muito com o público mas, após uma ou outra palavra mais tímida, brinda-nos então com dois temas muito dançáveis e apelativos – “Sexy Dirty Love” e “Daddy Issues” – intercalados com a naughty “Games” e a pop punk “Really Don’t Care”.

Em contraste com, por exemplo, uma das suas conterrâneas – Ariana Grande, com aquela sua doçura imensa – Demi apresenta um timbre de voz mais seco, salgado (por oposição ao doce). Esta característica da sua voz é clara mesmo nas suas baladas mais melancólicas, tais como “Concentrate”, “Don’t Forget”, “Sober” (esta última escrita pela própria, a propósito do seu histórico de vício em drogas, e lançada há apenas cinco dias), a tão conhecida e badalada “Stone Cold” – cuja primeira estrofe toda a gente sabia de cor, e quantas lágrimas não rolaram! – e “Scyscraper” (uma das canções mais bonitas que ela já fez). 

Após uma mudança de vestuário, o show continua, e muito bem, com um dos temas mais comerciais do momento, “Promise me no Promises” (originalmente de Cheat Codes, e na qual Demi participou). Seguem-se “Échame la culpa” e “Solo”, dois momentos dos mais festejados, mas que destoaram, por completo, de todo o concerto. O reggaeton característico destes dois temas em nada se encaixa no resto do repertório, o que acabou por ficar um pouco fora de contexto. 

Mas terminou em grande, com “Tell Me You Love Me” e “Sorry Not Sorry”, com back vocals que encheram ainda mais duas músicas já de si tão cheias de power, e que fizeram as delícias para os fãs mais acérrimos.






Ainda que esteja longe de ser uma das melhores vocalistas pop (quando comparada, por exemplo, a outros nomes atuais como Christina Aguilera ou Beyoncé), e ter ainda muito por onde crescer, é de destacar que Demi canta de forma irrepreensívelmente afinada, tendo conseguido superar as notas mais desafiantes, mesmo ao vivo. 

Quase, quase o suficiente para nos fazer arrepiar. Ainda não chegou lá, mas tem muito potencial. O que não lhe falta é, certamente, a tal fierceness para ser vencedora no que faz!

Texto original para Echo Boomer.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Rock in Rio Lisboa 2018 | Carolina Deslandes – O Dia Mais Feliz das Nossas Vidas

Review do concerto para o site Echo Boomer.
Autoria: Cláudia Silva

Carolina Deslandes  

Carolina Deslandes é, atualmente, um das figuras artísticas mais reconhecidas no panorama musical nacional. Tendo iniciado o seu percurso no concurso de talentos Ídolos, em 2010, já nesta altura demonstrava um talento que prometia. 

Prometia e cumpriu. Em 2016, lança o seu primeiro álbum de estúdio, Blossom. Tal como o nome indica, representava a desabrochar de Carolina enquanto artista, mas também enquanto mulher. Num registo muito pop electrónico, conta com um conjunto de temas bastante atual, jovem, teen, contemporâneo, irreverente até. E foi precisamente com um tema do álbum Blossom que Carolina Deslandes abriu o seu concerto no palco Music Valley, do Rock in Rio-Lisboa, no final da tarde deste primeiro dia de festival. 

Apenas com o instrumental de “What Do You Know, Boy?” – percetível certamente apenas aos mais atentos e conhecedores deste seu primeiro álbum, Carolina entra e é recebida com euforia, e o concerto prossegue dentro do mesmo registo, com os cativantes temas “Fuse” e “Carousel”, iniciando, assim, o concerto numa high-note e com sentimentos de positivismo e alegria. Após um breve discurso e agradecimento da artista, que mal acreditava estar a pisar um palco deste reconhecido festival, Carolina dá as boas-vindas ao seu público de uma forma muito sua: “Sejam bem-vindos ao dia mais feliz das nossas vidas!”. 

Ainda do seu primeiro álbum, tivemos o tema “Mountains”, um dos seus singles mais conhecidos, em parceria com o Agir – amigo que, afirma com emoção, ter sido a pessoa que fez com que ela voltasse a abraçar a sua carreira, num momento em que não tinha perspetivas nem esperança – e “Heaven”, balada dedicada ao seu falecido avô, em jeito de homenagem. 

Até agora, Carolina apresentou ao público dois álbuns que marcam por serem contrastantes. Se o primeiro (Blossom) é claramente mais pop, dançável, eletrónico – registo com o qual abriu este concerto – já o segundo é, como o próprio título indica, um regresso a Casa. Se, no primeiro álbum, a artista quis sair da sua zona de conforto, arriscar, procurar incluir inspirações do panorama musical comercial atual (Rihanna, por exemplo), no álbum Casa, Carolina surge mais aquilo que ela é. A Casa é, sem dúvida, aquilo que ela é. Uma singer-songwriter pejada de emocionalismo, de amor, de verdade, com muitas influências de música brasileira e bossa nova, com melancolia, que fala do coração dela diretamente ao coração dos outros. 

Diogo Clemente – pessoa com quem, afirma Carolina, “fez música e filhos” (risos do público) – entra em palco para um emocionante dueto, com a canção simplesmente amorosa “Coisa Mais Bonita”. Ainda muito dentro deste registo, tivemos o prazer de ouvir as deliciosas canções “A Miúda Gosta” e “Não Me Deixes” (com a convidada especial Maro, também ela uma excelente vocalista). Mas foi mesmo com “A Vida Toda” que o público vibrou – Carolina confidencia que um dos sonhos dela era um dia ser uma artista que tivesse “pelo menos uma música que toda a gente soubesse cantar por ela”, e conseguiu-o muito bem, não só com “A Vida Toda”, como também com “Avião de Papel”. E Carolina agradece, a nós, ao universo, por estar ali, e por “fazermos da nossa casa, a casa dela”.

Carolina mostra, ainda, ser uma artista versátil, ao presentear o público com um medley de covers, nomeadamente Britney Spears, Da Weasel, Ornatos Violeta e Dillaz. 

É de destacar a componente extremamente humana de Carolina. Um dos motivos para ela ser tão acarinhada pelo seu público é, sem dúvida, a intimidade que ela tem com quem segue o trabalho dela, a emoção e autenticidade com que ela faz tudo e se mostra ao mundo. Foi sempre com emoção que, ao longo deste concerto, Carolina interagiu com o público com um enorme sentimento de gratidão, por saber que são aquelas pessoas que alimentam o sonho dela. Sempre com uma genuinidade deliciosa, tão própria dela, a artista partilha lágrimas ao vivo, afirmando que ainda nem consegue acreditar que está a cumprir este sonho na vida dela. E deixa o seu público feliz, feliz por ela!

Texto original para o site Echo Boomer.